BARRA GRANDE, TAIPUS DE FORA, E REGIÃO

Região: Península de Maraú [BA] | Relato: Flávio Martins - 30/08/08

Escolhemos a cidade de Barra Grande no litoral da Bahia depois de escutarmos boas referências sobre o local. Além de belas praias e a opção para se chegar ao destino de carro, estimulou a vontade de conhecer tal cidade. Também estava nos planos conhecer Itacaré, e ainda fazer a busca a uma confluência baiana.

A ESTRADA
Partimos de Brasília, sábado dia 30, às 6 horas da manhã, e logo fomos até o entroncamento da BR020 com a estrada que leva à Correntina. Neste ponto recomenda-se fazer uma parada, pois em seguida será um longo trecho de 180Km onde os pontos de apoio são raros. Passamos por Santa Maria da Vitória, já sabendo que à frente estaria o trecho relatado como o pior. Foram 88Km feitos em quase 2 horas, fazendo jus a fama das estradas precárias da Bahia . Passamos por Bom Jesus da Lapa e só fomos parar em Brumado ás 17:00h, onde decidimos pernoitar.
Segundo dia de Estrada: Aproveitando para dar uma olhada na viatura constatei que a tampa do protetor do cárter havia se soltado, provavelmente na estrada ruim depois de Santa Maria da Vitória. Saímos em busca de algum local que pudesse arrumar um parafuso para segurar a tampa do cárter, sendo em vão, pois era domingo e o comercio estava fechado.
Fomos então tocando para Vitória da Conquista procurando algum posto que possuísse assistência para prender a tampa. Em um determinado ponto da estrada, após a cidade de Anagê, passei a sentir o freio falhando, chegando ao ponto de ficar sem freio algum, então fui tocando por quase 50Km de forma cautelosa até avistar uma borracharia, onde paramos para verificar os problemas. A tampa do protetor do cárter logo foi presa com um parafuso, o freio, para nossa surpresa, teve o caninho da roda traseira esquerda quebrado, fazendo com que a cada pisada vazasse o óleo, chegando a zero. Isolamos o caninho quebrado e o carro passou a utilizar apenas a frenagem em 3 rodas. Completei o bujão de óleo de freio e estava tudo resolvido, para nossa sorte, pois logo à frente depois de Vitória da Conquista passamos pela Serra do Marçal que, com seu declive extenso seria fatal passar por ali sem freio. Depois passamos por Itabuna, lhéus e seguimos então para Itacaré.

A TRAVESSIA E O OFF ROAD
Já na balsa atravessando o rio de contas para pegarmos a estrada até Barra Grande procuramos informações sobre a estrada. Conversando com o pessoal a notícia era que teríamos alguns areões e uma passagem pela água, mas nada que impossibilitasse um 4x4 de seguir adiante. O dono de uma Land Rover 110 nos convidou para o seguirmos, caso acontecesse algo estaríamos em dupla e isso também ajudaria a não nos perdermos. A estrada é realmente Off Road, mas carros pequenos conseguem passar tais obstáculos, indo de forma cautelosa, pois são valas, buracos a perder de vista, areões que atolam, e nesta época algumas passagens por poças de água que para nossa surpresa tinham profundidade mediana. Fomos devagar, vencendo os obstáculos dos quase 50Km até Barra Grande aonde chegamos por voltas das 14:00h. Fomos à procura da pousada perfeita, ou seja, de frente a praia, preço bom e um quarto bem confortável, pois seria nossa residência durante 15 dias.

PENINSULA DE MARAÚBarra Grande, Taípus de Fora e Ponta do Mutá



PONTA DO MUTÁ
No primeiro dia decidimos dar um descanso ao corpo, saímos pela praia que fica de frente a pousada e dela fomos caminhando até a Ponta do Mutá onde ficamos curtindo a praia até o final do dia. A praia da ponta do Mutá fica na entrada da baía de Camamu, não é a toa que possui mais a frente um farol para alertar aos navegantes que ali é a entrada da baía. Em dias de ondulações melhores pode pegar ondas tranqüilas, ideais para quem esta aprendendo, também existe la uma escolinha de surf e um surf camp. Já na ponta direita da praia, perto das pedras as ondas ficam mais rápidas, mas deve-se ter cuidado, pois o fundo é de pedra.

TAIPUS DE FORA
Considerada uma das praias mais belas do Brasil, Taipus de Fora tem como destaque a piscina que se forma na maré baixa, com a extensão de 1Km e 500m de largura, a tonalidade da água e sua transparência surpreendentes são um convite a um mergulho livre. Possui estrutura com barracas, a dica é levar seu equipamento de mergulho, ou então terá que alugar. Existem carros chamados de jardineiras que fazem o transporte de turistas entre Barra Grande e Taipus de Fora. Uma alternativa é fazer caminhando, lembrando que são 8Km por belas praias e provavelmente terá que voltar de jardineira para Barra Grande, mas vale a pena.

ROTINA PRAIANA
nquanto a maré ia enchendo a cada dia, o que era vital para o sucesso de pegarmos à confluência, continuamos curtindo a vida na rotina praiana. Íamos ou para a Ponta do Mutá ou para Taipus de Fora, e aproveitamos a entrada de uma ondulação que fez com que as ondas ficassem boas para treinarmos um pouco de surf. Na Ponta do Mutá, no fim do dia, as ondas ficavam tranqüilas e com certa força, mas por estar sem correntes estava ideal para que minha esposa inicia-se no mundo do surf. As ondas quebram para a esquerda e dava até para curtir um paddle stand up surf.

NOTÍCIAS DA MARÉ
A rotina praiana foi quebrada depois de 5 dias, quando a maré ficou boa para realizarmos a segunda investida na confluência. Em uma manhã normal, enquanto tomávamos nosso café da manhã no hotel o piloteiro do barco chegou avisando da maré, porém neste tinhámos decidido ir visitar alguns pontos, que são eles:

BOMBAÇA - A praia de Bombaça é um dos picos preferidos pelos surfistas em Barra Grande. Suas ondas fortes, uma praia de mar aberto e com recifes, são o perigo para quem surfa ali. As ondas não são extensas e para se chegar a tal praia ao invés de ir para Taipus é só virar à esquerda do posto de combustível, ou então ir andando pela praia, mas ai será uma caminhada de quase 4Km.

3 COQUEIROS - Entre a Bombaça e a Ponta do Mutá, existem ondas rápidas e seu fundo de recifes também traz perigo aos surfistas. É também um ponto procurado pelos surfistas, pois quando a Bombaçada está muito cheia, os surfistas preferem ir para 3 coqueiros.

A CIDADE DE BARRA GRANDE
Realmente as informações colhidas antes de iniciarmos a viagem se confirmaram a respeito da cidade de Barra Grande. De tão acolhedora, simples e tranqüila, tal cidade deveria ser chamada ainda de vila, mas temos que levar em consideração que estávamos na baixa temporada. As ruas de Barra Grande ainda são sem pavimentação, as crianças ficam até tarde brincando descalças pelas ruas, e em especial a praça das mangueiras e a igreja que dão ao centro da vila o ar da paz.

MUDANÇAS DE PLANO
Para ter idéia de como Barra Grande seduz, foi o fato de termos alterados os planos da viagem, pois, de inicio íamos ficar 15 dias em Barra Grande e 15 dias em Itacaré. Porem optamos em ficarmos 23 dias em Barra Grande e 7 dias em Itacaré. E fizemos bem, pois so percebemos esta escolha quando chegamos na próxima cidade. O que mais deixa marca em Barra Grande é você poder caminhar de noite com sua esposa ou companheira sem ter preocupação alguma, as ruas ainda são tranquilas, de areia onde o chinelo é o melhor calçado. Ou seja, digna de cidade do interior, com um ar de vila de pescadores, sem a exploração comum em praias baianas.

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