FIO VELASCO

Região: Araguaia [GO] | Relato: Flávio Martins - 06/06/07

Tínhamos em mente em visitar o Fio Velasco no mês de setembro, porém quando tal nome do ponto pesqueiro foi citado em uma lista de aficionados por off road logo os irmãos Estevam citaram a existência da Quinta das Pererecas, a base pesqueira deles que fica situada no condomínio Prive do Araguaia. Depois de muito bate papo o grupo foi aumentado, alguns pularam fora, mas no final das contas a aventura pesqueira 4x4 foi realizada antes da data desejada.

A PARTIDA
Depois de quatro meses organizando a viagem, a data da partida chegou e às 14 horas do dia 06 de junho saímos em um comboio formado por cinco viaturas guiadas pela Bandeirante denominada Azeitona, do nosso amigo Gustavo Estevam. A rota escolhida foi a estrada que passa por Anápolis, a Cidade Goiás (Goiás Velho) e chegando até São Miguel do Araguaia. Tudo ia bem quando, logo que passamos pela Cidade de Goiás, a Azeitona quebrou as correias, fazendo com que o comboio parasse para arrumar tal avaria. Nossa vantagem nesta aventura é que a galera, além de curtir uma pescaria também se interessa por mecânica. Além disso, a precaução que nosso amigo Otamir teve ao carregar algumas correias extras nos ajudou bastante. Pois se não fosse tal atitude, estaríamos bem enrolados para chegarmos a São Miguel do Araguaia.

A CHEGADA
Depois de percorrer, por 100 km, a estrada de terra que separa São Miguel do Araguaia de Fio Velasco, o comboio fez uma parada na entrada do condomínio, pois como era aniversário do Sr. Tunaro (pai dos irmãos Estevam), fizemos questão de chegarmos todos juntos fazendo a maior baderna. Não foi diferente. Ao chegarmos à Quinta das Pererecas o barulho da galera acordou a todos. Enquanto alguns foram arrumando seus cantos para pernoitar, outros já engataram na cerveja, mas no fim das contas todos se juntaram e cantaram parabéns ao aniversariante que nos recebeu de forma alegre e muito receptiva. Depois da farra, por volta das quatro da madrugada, a galera foi dormir, pois o outro dia prometia uma bela pescaria.

1° DIA DE PESCA
Como tivemos a comemoração do aniversário do Sr. Tunaro, o dia seguinte não foi diferente. Muitos nem saíram para pescar, e os que saíram já saíram um pouco mais tarde, pois a farra realmente boa. A pescaria ficou pelas proximidades do porto e tivemos poucas ações dos peixes. Mas so o fato de esta ali na beira deste majestoso rio ja vale a pena.

2° DIA DE PESCA
Logo cedo um grupo saiu e optou por uma pescaria no ponto denominado “Ressaquinha”, enquanto o outro grupo saiu um pouco mais tarde e optou por ir pescar no “Lago Grande”. Para chegar a este lago, a galera entrou em um canal que está secando. Assim, a maioria dos trechos teve que ser feita puxando o barco. Em pergunta ao piloteiro sobre a distância para chegar ao lago, para nossa surpresa, ele disse que era de mais de 2 km, entre canais e outros lagos. Portanto, nessa hora a ajuda de todos era fundamental. Ao caminharmos entre os canais, nos deparamos com a rica fauna, repleta de Jacus, répteis como camaleões e jacarés. Na água, a fuga dos peixes para o rio era uma alegria! Cardumes de Aruanãs e bandos de Biguás faziam do visual um fato marcante nesta aventura. Ao chegar à entrada do lago, o piloteiro afirmou que já poderíamos arremessar as iscas e, numa de seqüência de arremessos, três tucunarés foram fisgados com isca artificial. Subimos batendo as margens e o grupo se separou pela lagoa, pois sua imensidão de canais traz a oportunidade de boas capturas. Depois de horas e horas pescando sob um forte sol, acompanhados de uma boa cerveja gelada, veio a hora de irmos embora, pois, mesmo sendo a passagem de volta pelo canal mais rápida, esperar a noite para tal feito seria brincar com a sorte. Depois da ida à lagoa chegamos à Quinta das Pererecas eufóricos, afinal a enfieira de peixes estava linda! O outro grupo que tinha ida ao ponto “Ressaquinha” já não teve tanta sorte.

3° DIA DE PESCA
Partimos desta vez para o pesqueiro da Volta Grande, uma curva no rio que parece não ter mais fim. No meio, uma correnteza onde é possível capturar Douradas, e na curva pode - se tentar as tão procuradas Pirararas. Ficamos algumas horas, mas só conseguimos algumas beliscadas. Em seguida subimos para outro ponto onde consegui fisgar alguns Mandubés e o nosso amigo Harlei deixou escapar um Pintado. Depois disso arrumamos uma churrasqueira no barco e ficamos na beira do rio saboreando um bom churrasco e vendo as águas passando. O outro grupo, que, no dia anterior, tinha ido para o “Ressaquinha”, neste dia partiu para a lagoa que tínhamos ido no dia anterior. E com eles a experiência não foi diferente... voltaram relatando como foi a aventura e, muito animados com os peixes fisgados, ainda nos disseram que assaram uns Tucunarés na beira do rio. A noite enfim chegou com muita moda de viola e um bom papo acompanhado de delicioso peixe.

O RETORNO
Arrumamos as tralhas e o desanimo era visível na cara de todos. Partimos bem cedo de volta a Brasília, mas a aventura ainda não tinha acabado, pois passando 40km de São Miguel do Araguaia a Azeitona estourou sua turbina fazendo com que tivéssemos mais algumas lições de companheirismo. Depois de quatros horas esperando o guincho, viemos devagar, contando sempre com a união do grupo. A lição que fica é que uma boa aventura é capaz de nos proporcionar novas amizades. Além disso, outro ponto positivo foi o fato de termos a possibilidade de conhecer uma família que recebe seus visitantes como membros da mesma. A preocupação com o bem estar e a satisfação de todos, somado ao planejamento que antecedeu a pescaria, nos mostrou que a família Estevam faz da Quinta das Pererecasser um recanto que deixamos para trás dizendo um “até breve”!

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