CACHOEIRA SIMÃO CORREIA E VALE DOURADO

Região: Chapada dos Veadeiros, Alto Paraíso [GO] | Relato: Flávio Martins - 04/08/2018

Chapada Alta é o nome dado a uma região que vem lá de Teresina de Goiás para as bandas de Alto Paraíso. Na parte que vai desbancando para o baixo Paranã existem algumas cachoeiras, muitas ainda não conhecidas, e outras daquelas que quase não vai ninguém.
Desta vez partimos para ir atrás da escondida Simão Correia, cachoeira que apontava na lista de prioritárias do DOCERRADO.com.
Grupo formado, e sexta chegamos em Alto Paraíso. Camping montado, aquele fim de dia tranquilo, um pôr do sol daqueles que vem acompanhado da cantoria e revoada de pássaros. Aquele farto e bom jantar, tomar aquela boa Chapadeira (cerveja excepcional feita na região) e dormir em uma barraca sob o céu da Chapada.

No outro dia depois do café da manhã pegamos aquele estradão, e nesta época os quase 30km de estrada de terra até a sede da Fazenda estava só o talco. Nada que o ânimo e a vontade de conhecer matasse nosso plano. Chegamos na sede da Fazenda e fomos muito bem recebidos pela dona Jenezi, seu marido João Alves, e seu filho João. Ganhamos já um saco de saborosas mexericas e depois de uma breve prosa partimos em busca de Simão.
Falar que a trilha é leve é balela, tem subida boa, pedras, transposições e travessias. O fator expectativa da aquela abalada no psicológico, a cada curva, depois de toda descida ou subida vem aquela pergunta: “É aí?”, e geralmente era não... o GPS apontava que faltavam poucos metros e depois de dar aquela pescoçada atrás de um arbusto, percebe-se aquela magnifica queda. O esforço valeu a pena, muito a pena!
São 115m de queda, um paredão com uma formação rochosa que destaca a beleza do local como um todo. Chegando pela trilha ainda tem um paredão de pedra que depois que você sobe ele chega ao maravilhoso poço. A água bateu o recorde de gelada, era um pulo e um grito para dar aquela aquecida. Sem sombra de dúvidas Simão Correia é o tipo de cachoeira que vale muito a pena visitar mais de uma vez.
Ficar ali abobado com tanta beleza faz perceber que curtir Simão é preciso ter bastante tempo. Voltar pela trilha feita foi bem ligeiro, afinal depois que sabe o caminho tudo fica mais fácil.
Seguindo uma das premissas do grupo, visitar locais poucos conhecidos ou fazer rotas alternativas deixa aquela boa lição, que o mais bonito está escondido. Voltaremos Simão!

Domingo da preguiça! Acordar sem hora, desmontar acampamento, café da manhã sem pressa e ir visitar o Vale Dourado. De cara partimos para conhecer as cachoeiras, que por conta da época da seca estavam fraquinhas, mas nada que tirasse a beleza de cada uma. No Vale Dourado existem várias cachoeiras, as mais visitadas são: Cachoeira do Guardião, da Aliança, do Altar e da Gruta. Além destas possuem outras que merecem uma atenção, porém mais tempo para ir explorar cada cantinho do Vale. Destaque também no Vale Dourado são suas praias: A da Pregação e das Araras. Locais que valem muito a pena ficar horas na areia e dando mergulhos nas águas cristalinas do rio dos Couros. Também rola uma boia cross neste rio, que é uma das maiores atrações do local.
Depois de um final de semana como este chega fica chato ter que voltar, vontade de ficar não falta. A Chapada sempre tem algo guardado, desde novas cachoeiras, poços, piscinas, rios e praias. Ainda conta com uma floração que fica mudando ao longo do ano, não é a toa que mesmo indo lá a um bom tempo, toda vez nos deparamos com uma flor, ou uma planta que nunca vimos.


Obrigado a todos os participantes, pela coragem, persistência e força em ir em busca de Simão.
Grupo especial e missão completa!



VÍDEO



RELIVE

Relive 'Morning Aug 4th'




RELATO: SIRLENE BENDAZZOLI


A trilha para a cachoeira Simão Correia é exatamente a concretização da afirmação de que nesse tipo de atividade o que vale é tanto o caminho como o objetivo alcançado. Desde a saída de Alto Paraíso seguindo pelo caminho rumo a Moinho fomos contornando os paredões que formam o Sertão Zen iluminados pelo sol da manhã. Após 30 km chegamos à Fazenda Barreiro da Onça e conversamos com dona Jenezi e seu marido João que nos ofereceram muitas laranjas e mexericas madurinhas!!
A trilha começa logo após a travessia do Rio Maranhão ainda rasinho. Seguimos pela mata de galeria ao longo do curso de água até que num dado momento perdemos a água de vista e, ao tornar a vê-la, já é o rio Simão Correia que vem em direção oposta rumo ao Rio Maranhão. A mata é muito bonita, bastante preservada e nos enche de alegria saber que aquilo tudo agora faz parte do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Para chegar até a cachoeira é preciso superar uma subida longa que por ser mais exposta ao sol me deixou muito acalorada precisando dar paradas para "esfriar o motor". Um pouco antes chegamos a um paredão onde parecia não haver passagem e a Carol escalou um acesso lateral para ver aonde dava a indicação das setas amarelas pintadas nas pedras. A vista ali acima era incrível! um enorme plano inclinado de rocha e na quina junto ao paredão a água descia veloz!! Dali seguimos pela própria calha do rio que estava bastante seco, suponho que é impossível ir nessa cachoeira no tempo das chuvas porque todas as marcas de sinalização estariam submersas e teríamos de andar por dentro da água que corre muito rápido!! Assim, saltando pedras escorregadias e tentando não molhar as botas fomos seguindo sem ouvir a queda até momento em que ela finalmente surgiu num largo e alto paredão curvo.

As formações rochosas da trilha e cachu possuem formatos impactantes e revelam uma antiga e forte atividade de choques, fraturas, tombamentos, sobreposições. Fui pesquisar e descobri que a região se encontra exatamente na área de confronto de dois grupos de rochas (Araí a oeste e Bambuí a leste) com predomínio do quartizito dobrado. A calha da cachoeira é exatamente o vértice da fratura rochosa e as "ondas" que vemos no paredão são a sobreposição da Araí sobre a Bambuí.

A água da cachoeira é gelada! com pressa em retornar antes do anoitecer ficamos pouco no poço mas o suficiente para ver a cachoeira voar com o vento e depois retornar ao seu curso. A volta é quase só descida, ufa!! e após atravessar novamente o Rio Maranhão fomos brindados por um lindo por do sol e por centenas de mosquitos!
Maravilha! finalmente a sonhada trilha até a cachoeira Simão Correia que estava nos meus planos desde 2016 foi realizada graças à enorme solidariedade do grupo DOCERRADO.com que me incentivou, me abanou, e assim, juntos curtimos intensamente o caminho, o objetivo e uma ótima companhia!!